Dezembro não perdoa improviso
Dezembro não perdoa improviso — ele apenas revela. O que funcionou no ano aparece limpo; o que faltou preparo estoura agora. Captação tarda quando não teve calendário, retenção fraqueja quando o diálogo sumiu e marketing se perde quando não houve eixo. A pergunta-guia é simples: “O que eu teria feito em agosto para não correr agora?”. A resposta também: básico feito cedo. Dezembro é para concluir conversas, confirmar quem fica e entrar em janeiro com plano, não com susto.
Dezembro é silencioso e honesto. A aula esvazia, o administrativo toma a frente e o número que sobrou na planilha é, de fato, o que a escola fez ao longo do ano. Aqui não tem maquiagem. Se a captação está correndo, é porque começou tarde; se a retenção está insegura, é porque os sinais foram ignorados no meio do caminho; se o marketing está espalhado, é porque faltou uma linha-guia antes do barulho começar. Dezembro não perdoa improviso. Ele apenas mostra.
Vale encarar o mês como balanço vivo, não como “fim de temporada”. Onde a captação patinou, quase sempre faltou calendário antes de campanha: julho sem ritual, agosto sem ensaio, setembro sem continuidade. O resultado aparece agora, quando o volume de conversas cai e cada resposta precisa fechar a história, não abrir outra. Na retenção, o que dói não é o “não” de última hora; é o silêncio de setembro que ninguém foi lá entender. Família não sai em dezembro — sai no dia em que a escola parou de conversar. E no marketing, quando tudo pareceu urgente, nada virou eixo: troca de peça sem mensagem, promessa que não reapareceu no WhatsApp, visita que não provou o que o anúncio dizia.
Se eu pudesse escolher uma pergunta para guiar as próximas semanas, seria esta: o que eu teria feito em agosto para não estar correndo agora? A resposta costuma ser simples e dura: ter escolhido um tema para a campanha (e repetido), ter ensaiado o atendimento com exemplos reais, ter desenhado a régua de mensagens antes do primeiro clique, ter fechado rematrícula com prazo e conversa, ter dado dono aos números por semana. Nada disso é brilhante; é só o básico feito cedo. E cedo é quando ainda dá para corrigir sem estourar gente e dinheiro.
Dezembro serve para isso: concluir o que já começou — retomar cada conversa exatamente do ponto em que parou, confirmar quem fica de verdade e abrir o ano com um plano que nasce no calendário, não no susto. O próximo ciclo já começou — e este ainda corre até janeiro. Quem usa o silêncio do mês para reorganizar entra em janeiro leve; quem insiste em “mais uma ação” vai explicar em março por que o ano começou pesado.
Um abraço,